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“Coração Partido mata como infarto”, diz especialista que atua em universidade da Alemanha revela riscos da Takotsubo

Doenças cardiovasculares seguem como maior causa de mortes no mundo, alerta pesquisador da Universidade de Greifswald, Marcello Markus, que palestrará no 46º Congresso SOCESP

A palestra sobre Takotsubo, popularmente conhecida como Síndrome do Coração Partido, será um dos destaques do 46º Congresso da SOCESP, trazendo uma mudança importante de paradigma: a condição não deve mais ser considerada “benigna”, como se acreditava anteriormente. “Estudos recentes mostram que sua morbimortalidade é comparável à do infarto agudo do miocárdio, o que reforça a necessidade de novas estratégias de diagnóstico e prognóstico”, afirma Marcello Markus da Universidade de Greifswald, na Alemanha. 

Outro ponto central da apresentação será a conexão cérebro-coração, evidenciada por casos em que acidentes vasculares cerebrais isquêmicos desencadeiam complicações cardíacas graves, revelando como eventos neurológicos podem precipitar respostas cardíacas de grande impacto clínico.

O 46º Congresso da SOCESP, um dos maiores em cardiologia do mundo, será realizado de 4 a 6 de junho de 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O médico e pesquisador sênior do Departamento de Medicina Interna B (Cardiologia, Angiologia, Pneumologia e Medicina Interna de Cuidados Intensivos) da universidade alemã ministrará a palestra “Takotsubo, apenas um coração partido? A Síndrome do AVC e do Coração: Conceitos Atuais”, apresentando avanços que contribuem para redefinir essa condição neuro cardíaca complexa.

Marcello Markus também chama a atenção para o fato de que as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo, apesar dos avanços científicos. “Fatores de risco como hipertensão, obesidade, diabetes tipo 2, colesterol elevado e tabagismo seguem altamente prevalentes, afetando bilhões de pessoas”, lembra. Segundo ele, nos Estados Unidos, esses fatores contribuíram para a estagnação na redução das mortes desde 2010. “Em países de baixa e média renda, hábitos como má alimentação e sedentarismo estão associados a cerca de 75% dos casos, enquanto desafios como barreiras econômicas, diagnóstico tardio e envelhecimento populacional agravam o cenário: 85% das mortes concentram-se em nações com menos recursos”, completa.

Para Marcello Marcus, ao longo dos anos, o Congresso da SOCESP se consolidou como uma referência para atualização e plataforma de cooperação científica entre profissionais médicos e não médicos da área de cardiologia, não só do Brasil, mas de todo o mundo. “Poder colaborar com este evento científico, o maior congresso de cardiologia da América Latina, não é apenas uma oportunidade, mas um privilégio”.